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Carta aberta

O Brasil acordou

Setembro de 2026

Atualizada em 16 de setembro de 2026 Leitura da carta: 10 minutos. História completa: mais 19 minutos.

Sou empresário. Nasci no Brasil, vivi a vida inteira aqui, não tenho cargo público e não sou candidato a nada. Pago imposto aqui, contrato aqui, e é daqui que escrevo.

Escrevo sem assinar. Preferia assinar, e o fato de eu não assinar é a primeira coisa que esta carta prova: num país onde descrever fatos públicos e documentados obriga a calcular o custo antes, a pergunta que eu faço já vem meio respondida. Nada aqui depende de quem eu sou. Tudo pode ser verificado sem mim, e é para isso que serve cada data e cada documento que você vai encontrar.

Escrevo esta carta porque cansei. Cansei do meu país, e acredito que muitos brasileiros cansaram junto comigo. Em setembro, 157 brasileiros, entre eles dois ex-presidentes do Banco Central, assinaram um manifesto que descreve o que veio à tona nos últimos meses como consequência de um "sistema doente", que, nas palavras deles, deixou de aplicar a si mesmo os freios que impõe a todos os outros. É a descrição mais precisa que conheço do que eu vejo todos os dias: quem deveria responder não responde, e quem não deveria responder paga a conta. Foram tantos eventos que eu precisei sentar e organizar um por um, com a profundidade que cada um merece. Onde só existe investigação em andamento, digo que é investigação. Onde é opinião minha, digo que é minha.

Escrevo para quem vive fora do Brasil e nunca precisou entender o Brasil: jornalistas, investidores, professores, diplomatas, e também para os 5,3 milhões de brasileiros que foram embora. Escrevo para alertar. Cheguei à conclusão de que o meu país não vai se corrigir sozinho, e que a única coisa que ainda pode mudar isso é gente de fora olhando. Não peço piedade. Peço que você leia até o fim, confira o que quiser e conte adiante. É isso que eu chamo de testemunha.

Em que país a suprema corte se reúne para decidir se investiga um dos seus juízes por mensagens com um banqueiro preso, dois dos onze não podem votar porque têm ligação com o mesmo banqueiro, e a sessão termina sem decisão?

No meu. E essa é só a cena mais recente. Ela merece ser contada inteira antes do resto, porque é o presente.

Em novembro de 2025, o Banco Central liquidou o Banco Master, e a polícia federal prendeu o dono, Daniel Vorcaro, no aeroporto de São Paulo, quando tentava deixar o país num jato particular. Segundo a polícia, o banco vendeu ao BRB, o banco público de Brasília, cerca de US$ 3,3 bilhões em operações fictícias, com documentos falsos e uma empresa de fachada. O ex-presidente do BRB também está preso. O ministro que hoje conduz o caso chama isso de a maior fraude bancária da história do país. A defesa do banqueiro diz que os ativos eram regulares e auditados.

O primeiro ministro do STF a conduzir o caso, Dias Toffoli, deixou a relatoria em fevereiro de 2026, depois que a imprensa revelou US$ 6,7 milhões de fundos ligados ao banqueiro num resort de que era sócio. Segue no tribunal.

O escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, onde os dois filhos do casal são sócios, assinou com o banco, em janeiro de 2024, um contrato de US$ 690 mil por mês, por três anos, para representá-lo perante o Banco Central, a Receita e o Congresso. Segundo O Globo e o Estadão, o escritório recebeu cerca de US$ 14,5 milhões até a liquidação, e o patrimônio declarado da advogada cresceu 232% entre 2023 e 2024. Em outubro de 2025, quinze dias antes da prisão do banqueiro, o banco emitiu, a pedido do escritório, dois cartões de crédito com limite de US$ 58 mil cada um para os filhos do ministro; o banqueiro autorizou com um "ok". O escritório diz que os cartões foram oferecidos pelo banco e nunca foram usados. A advogada diz que o trabalho foi de compliance. Moraes diz que nunca favoreceu o banco.

Em 1º de setembro de 2026, o relator atual, André Mendonça, tornou público um relatório de 218 páginas da polícia federal sobre o celular do banqueiro: conversas com um contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA" e anotações em que ele pede que segurem o diretor-geral da polícia federal e o procurador-geral da República. Moraes nega as mensagens e acusa Mendonça de farsa eleitoral. O filho do procurador-geral, segundo a Agência Pública, foi convidado para uma viagem a Londres paga pelo banco.

Numa proposta de delação que a polícia federal rejeitou por não trazer fatos novos, o banqueiro disse ter pago US$ 30 milhões ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por apoio a interesses do banco no Congresso. Alcolumbre nega e diz que vai à Justiça. É ele quem decide, sozinho e sem prazo, se os 109 pedidos de impeachment de ministros do STF andam. Nenhum andou.

Em 15 de setembro, o tribunal se reuniu para decidir se investiga Moraes. Um ministro, Nunes Marques, se declarou impedido depois que a imprensa publicou mensagens ligando ele e a família ao banqueiro. Toffoli alegou suspeição. Os oito restantes decidiram, por 4 a 3, tratar os casos de Moraes e de Mendonça em separado, e o ministro Flávio Dino pediu vista, o que suspende tudo por até 90 dias, possivelmente até depois da eleição de 4 de outubro.

Isso é o presente. Não começou aqui. Para entender como um tribunal chega a esse ponto, é preciso voltar doze anos.

O que a gente vive no Brasil soa como invenção. Por isso esta carta tem data, nome e documento em cada frase. Se alguma parecer inventada, confira.

Antes da história completa, que está no fim desta carta, o resumo. Em dois atos.

Primeiro ato: a investigação e o desmonte#

Um homem condenado duas vezes por corrupção, preso por 580 dias, voltou a ser presidente sem nunca ter sido absolvido, enquanto o juiz que o condenou foi declarado parcial e o procurador que o acusou perdeu o mandato. Foi assim.

Em 2014, a polícia e a promotoria federais começaram uma das maiores investigações de corrupção já feitas em qualquer país. Ela ganhou o nome de Lava Jato e partiu da Petrobras, a petroleira controlada pelo governo e maior empresa do Brasil.

Em seis anos, 253 condenações. Penas que somavam 2.286 anos de prisão. Cerca de US$ 2,7 bilhões em acordos de devolução de dinheiro. A maior construtora do país confessou, num tribunal de Nova York, US$ 788 milhões em propina a autoridades de doze países.

Presidentes de empresas foram presos: Marcelo Odebrecht, da Odebrecht, e Léo Pinheiro, da OAS. O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha foi preso. O ex-presidente Lula foi condenado duas vezes, preso e tirado da eleição de 2018.

Depois, tudo começou a ser desfeito, peça por peça, pelo mesmo tribunal que tinha permitido a investigação: o Supremo Tribunal Federal, a nossa Suprema Corte, que aqui chamamos de STF. São onze juízes vitalícios, chamados de ministros, indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado.

O STF decidiu que Lula tinha sido julgado na cidade errada. A explicação é técnica: a investigação era sobre a Petrobras, e os crimes atribuídos a Lula não tinham ligação direta com a estatal, logo o juiz de Curitiba não podia julgá-lo. O tribunal decidiu também que esse juiz havia sido parcial. As duas condenações caíram sem que ninguém olhasse as provas de novo. Os processos foram para Brasília e lá prescreveram, porque Lula tinha passado dos 70 anos, e no Brasil isso corta pela metade o prazo que a Justiça tem para punir alguém.

Em 2022, Lula foi eleito presidente de novo, por 50,9% a 49,1%.

O juiz que o condenou, Sergio Moro, tinha deixado a toga para ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro; depois virou senador. O procurador que chefiava a acusação, Deltan Dallagnol, se elegeu deputado e teve o mandato cassado. A força-tarefa foi dissolvida.

E um único ministro do STF, Dias Toffoli, anulou as provas da confissão da construtora, as mesmas entregues ao tribunal americano. Suspendeu US$ 2 bilhões em multas de um grupo empresarial e US$ 1,6 bilhão de outro. As anulações se estenderam ao operador financeiro Alberto Youssef, condenado a mais de 120 anos. Réus em mais de dez países usaram essas decisões para se defender.

Ninguém foi absolvido. Tudo foi declarado nulo.

Segundo ato: a repetição, sem ninguém para investigar#

Em 2025, descobriu-se que US$ 1,2 bilhão tinha sido descontado, sem autorização, das aposentadorias e pensões pagas pelo INSS, o instituto público que sustenta dezenas de milhões de idosos. Quem descontava eram entidades conveniadas com o próprio governo. O ministro responsável, Carlos Lupi, caiu. O irmão do presidente, José Ferreira da Silva, o Frei Chico, é vice-presidente de uma dessas entidades, o Sindnapi. O filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, responde a três inquéritos por suposto tráfico de influência, que ele nega.

Os Correios, a empresa estatal que entrega cartas e encomendas no país inteiro, perderam US$ 1,6 bilhão em um ano.

E o maior caso de fraude bancária da história do Brasil, o do Banco Master, que você acabou de ler, chegou ao STF por todas as portas, e o tribunal não conseguiu decidir se investiga um dos seus.

O STF trabalha com dez cadeiras, porque o Senado rejeitou o indicado para a décima primeira, a primeira rejeição em 132 anos. Quem articulou a rejeição, segundo a imprensa, foi o mesmo presidente do Senado que segura os 109 pedidos de impeachment.

Somos 213 milhões de pessoas pagando 32,4% de tudo o que produzimos em impostos, o maior peso da nossa série histórica, para sustentar isso. E o país que fez uma das maiores operações anticorrupção da história caiu de 43 pontos e 69º lugar, em 2014, para 35 pontos e 107º, em 2025, no ranking de corrupção da Transparência Internacional, o único que o mundo usa para medir isso.

O Brasil no ranking da Transparência Internacional

Entre 2014 e 2025 o Brasil caiu da 69ª para a 107ª posição no Índice de Percepção da Corrupção, e a pontuação caiu de 43 para 35 pontos em 100.

Posição no ranking 69º 43 pontos 2014 107º 35 pontos 2025

Fonte: Transparência Internacional, Índice de Percepção da Corrupção

De 2014 a 2026: a investigação e o desmonte

Linha do tempo em dois atos. Primeiro ato, de 2014 a 2022: a Lava Jato avança e depois é desfeita. Segundo ato, de 2023 a 2026: os casos se repetem e o tribunal passa a discutir a si mesmo.

Primeiro ato

  1. 2014A Lava Jato começa
  2. 2017–2019Lula é condenado duas vezes
  3. 2018Bolsonaro é eleito
  4. 2019STF veta prisão em segunda instância
  5. 2021As condenações de Lula são anuladas
  6. 2022Lula é eleito presidente

Segundo ato

  1. jan 20238 de janeiro em Brasília
  2. 2023–2024Toffoli anula provas da Odebrecht e suspende multas
  3. abr 2025Descontos ilegais em aposentadorias do INSS vêm à tona
  4. set 2025Bolsonaro é condenado a 27 anos
  5. nov 2025Banco Master é liquidado; dono preso
  6. abr 2026Senado rejeita indicado ao STF; tribunal fica com dez cadeiras
  7. set 2026STF suspende a decisão sobre investigar um dos seus

Você tem mais a ver com isso do que imagina#

Se o seu fundo de pensão compra títulos brasileiros, ele recebe 14% ao ano. Parte desse prêmio é o preço de um tribunal que não consegue julgar os próprios juízes.

Se a cocaína chega ao seu porto, é provável que tenha passado por uma facção que a Receita Federal, o fisco brasileiro, descreveu em 2025 como dona de mil postos de gasolina e quarenta fundos de investimento.

A soja, a carne, o café e o suco de laranja da sua mesa vêm daqui, e o preço deles carrega a nossa dívida.

E se você acha que uma suprema corte nunca tiraria do ar uma rede social inteira no seu país, aqui isso aconteceu por quarenta dias, em 2024.

O Brasil não vai se corrigir sozinho: cada Poder tem um botão para paralisar o outro e nenhum tem motivo para apertar o próprio.

O que eu peço#

Não peço tarifa nem sanção. Isso já foi tentado por quem não vive aqui, em 2025, e serviu para que cada lado acusasse o outro de traição.

Peço testemunhas.

Aos jornalistas: cubram o dia em que o tribunal devolver ao plenário a decisão sobre investigar a si mesmo, e o dia 4 de outubro, quando o país vota. Perguntem aos candidatos o que farão com os 109 pedidos de impeachment, com a cadeira vazia do tribunal e com o código de conduta que 157 pessoas pediram.

Aos investidores e às agências de risco: o Brasil paga 14% de juros. Parte desse prêmio é o preço de um sistema que não consegue julgar os próprios juízes. Escrevam isso nos relatórios com o mesmo rigor com que medem a dívida.

Às universidades e aos institutos que estudam democracias: o Brasil é o caso vivo de um sistema em que todos os freios existem no papel e nenhum é acionado. Estudem. Publiquem.

Aos 5,3 milhões de brasileiros fora do país: vocês são o 13º estado. Escrevam para os jornais de onde vivem. Contem.

Ninguém pode estar acima da lei. Foi isso que 157 brasileiros assinaram em 9 de setembro. É o que eu assino aqui.

Setembro de 2026

A história completa, para quem quiser ir mais fundo.

19 min

A história completa, para quem quiser ir mais fundo. Contada aos poucos, com data, nome e documento.

Primeira parte: o que a Lava Jato encontrou#

Em março de 2014, a polícia federal investigava lavagem de dinheiro num posto de gasolina em Brasília. O rastro do dinheiro levou à Petrobras. Daí o nome Lava Jato.

O esquema era simples de entender. Grandes construtoras combinavam entre si quem ganharia cada contrato da Petrobras, inflavam os preços e pagavam uma parte do excedente a diretores da estatal e a partidos políticos. Diretores foram presos. Alguns confessaram e entregaram os outros.

Aqui é preciso explicar uma palavra que vai aparecer muito: delação. A delação premiada é um acordo em que o acusado confessa e aponta cúmplices em troca de pena menor. Nos Estados Unidos se chama plea bargain. Para empresas existe o acordo de leniência: a empresa admite os crimes, paga multa e continua operando.

O balanço da própria promotoria federal, seis anos depois: 70 fases de operação, 1.343 buscas, 500 pessoas acusadas, 253 condenações contra 165 pessoas, 2.286 anos de pena somados, 185 delações e 14 leniências. Cerca de US$ 2,7 bilhões em devolução acordada, dos quais mais de US$ 770 milhões efetivamente devolvidos, US$ 580 milhões deles à Petrobras.

O balanço da Lava Jato, seis anos depois

Números do balanço final divulgado pela própria promotoria federal.

  • 70fases de operação
  • 1,343buscas
  • 500pessoas acusadas
  • 253condenações, contra 165 pessoas
  • 2,286anos de pena somados
  • 185delações
  • 14leniências

Fonte: Ministério Público Federal

A confissão da Odebrecht em Nova York, em dezembro de 2016, alcançou doze países. A penalidade global foi de ao menos US$ 3,5 bilhões, a maior da história para suborno estrangeiro. No Peru, quatro ex-presidentes responderam a processos ligados a esse dinheiro. Um deles se matou quando a polícia chegou para prendê-lo.

Entre os condenados no Brasil estavam presidentes de construtoras, diretores da estatal, tesoureiros de partidos, um ex-presidente da Câmara dos Deputados e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje presidente de novo.

Lula foi condenado duas vezes.

A primeira condenação foi por um apartamento tríplex no litoral de São Paulo. A acusação dizia que a construtora OAS reformou o imóvel para ele em troca de contratos na Petrobras. A sentença foi do juiz Sergio Moro, em julho de 2017. O tribunal de segunda instância confirmou em janeiro de 2018, e o Superior Tribunal de Justiça, a corte logo abaixo do STF, reduziu a pena para 8 anos e 10 meses em 2019.

A segunda foi por reformas num sítio na cidade de Atibaia, pagas, segundo a acusação, pela OAS e pela Odebrecht. A sentença é de fevereiro de 2019.

Lula sempre negou ser dono do tríplex e do sítio. Sempre disse que os processos eram perseguição política.

As provas contra ele incluíam depoimentos filmados de executivos das duas empresas, obtidos em delações. Gente que reduziu a própria pena para falar. Delação é prova negociada, e é preciso dizer isso com todas as letras. Também é preciso dizer que ele ficou preso 580 dias, de abril de 2018 a novembro de 2019, e que a prisão o tirou da eleição de 2018, vencida por Jair Bolsonaro com 55% dos votos.

Segunda parte: o desmonte#

Em novembro de 2019, o STF decidiu, por 6 votos a 5, que ninguém no Brasil cumpre pena antes de esgotar todos os recursos. Lula saiu da prisão no dia seguinte. A decisão valeu para milhares de presos e não tratava da culpa dele.

Em março de 2021, um ministro decidiu sozinho que o juiz de Curitiba não tinha competência para julgar Lula, porque os fatos não tinham relação direta com a Petrobras. O plenário, a reunião de todos os ministros, confirmou por 8 a 3.

Na mesma semana, um grupo de cinco ministros declarou, por 3 a 2, que Moro havia sido parcial. Pesou o fato de Moro ter deixado a magistratura em 2018 para ser ministro da Justiça de Bolsonaro, o adversário político do réu que ele tinha condenado. Pesaram também mensagens trocadas entre o juiz e os procuradores, roubadas por hackers e publicadas pela imprensa em 2019.

As condenações foram anuladas. Nenhum tribunal julgou os fatos de novo.

Os processos foram enviados para Brasília. Em janeiro de 2022, o caso do tríplex foi arquivado a pedido da própria promotoria. As provas de Curitiba não podiam ser reaproveitadas, e Lula tinha mais de 70 anos, idade em que o prazo de prescrição cai pela metade no Brasil. Qualquer condenação já teria prescrito. O caso do sítio teve o mesmo fim.

A defesa chama isso de perseguição judicial e de inocência comprovada. A acusação chamou de prescrição. Você decide como chamar. O fato é que ninguém absolveu.

Depois veio a parte que o leitor de fora quase nunca ouve.

Em setembro de 2023, o ministro Dias Toffoli declarou nulas todas as provas obtidas nos sistemas internos de contabilidade de propina da Odebrecht, os mesmos que a empresa entregou ao tribunal americano. A nulidade valia para todos os processos, em qualquer instância.

Em dezembro, ele suspendeu o pagamento da multa de US$ 2 bilhões do acordo de leniência da J&F, dona da maior processadora de carne do mundo. Em fevereiro de 2024, suspendeu US$ 1,6 bilhão em multas da própria Odebrecht. Ainda em 2024, anulou todos os atos do juiz de Curitiba contra Marcelo Odebrecht, o executivo que confessou, trancou os processos e manteve válida a delação que ele fez.

As anulações se estenderam a um ex-ministro da Fazenda, a um dos donos da OAS, ao operador financeiro cujas condenações somavam mais de 120 anos, a um ex-governador de outro partido e a um senador do partido do presidente. Até maio, 28 réus em mais de dez países já tinham usado essas decisões, e o Brasil suspendeu a cooperação jurídica com o Peru nos casos da Lava Jato.

Toffoli fundamentou as decisões no conluio que enxergou entre o juiz e a acusação, expresso nas mensagens hackeadas. Os procuradores sempre disseram que as mensagens foram obtidas por crime, nunca foram periciadas e não provam conluio. As duas versões estão nos autos.

Sem adjetivo, o balanço é este. O maior caso de suborno transnacional já admitido por uma empresa em tribunal teve suas provas anuladas por um único ministro. Os beneficiados atravessam partidos, setores e fronteiras. Ninguém foi absolvido. Provas e atos foram declarados nulos.

E há um detalhe de 2025. O Brasil tem uma lei, chamada Ficha Limpa, que proíbe condenados por certos crimes de disputar eleições por oito anos. Em 2025, o Congresso mudou a forma de contar esse prazo. Por causa disso, o ex-presidente da Câmara condenado na Lava Jato é candidato a deputado em outubro, dependendo de como o STF julgar a mudança nesta semana.

Terceira parte: o outro lado#

Se você espera desta carta o argumento de que só um lado se protege, pare aqui. Os documentos dizem outra coisa.

Jair Bolsonaro foi eleito em 2018 contra o sistema que a Lava Jato expôs. Governou quatro anos.

Nesse tempo, o inquérito sobre desvio de salários no gabinete de seu filho Flávio foi encerrado depois que tribunais anularam as provas. O país teve mais de 700 mil mortos na pandemia, e uma comissão do Senado apontou omissões do governo.

Em outubro de 2022, Bolsonaro perdeu a reeleição para Lula por 50,9% a 49,1%, a margem mais estreita desde a redemocratização. Não reconheceu o resultado em público.

Em 8 de janeiro de 2023, uma semana depois da posse de Lula, milhares de apoiadores de Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes em Brasília. Se você é americano, pense no 6 de janeiro. Bolsonaro estava nos Estados Unidos e disse que não teve relação com o ato.

Em junho de 2023, a Justiça Eleitoral, o tribunal específico para eleições, o tornou inelegível até 2030 por uma reunião com embaixadores estrangeiros em que atacou o sistema de votação sem provas.

Em 11 de setembro de 2025, um grupo de cinco ministros do STF o condenou, por 4 votos a 1, a 27 anos e 3 meses de prisão. O crime: liderar uma organização criminosa que tentou um golpe de Estado depois da derrota. Generais, o ex-ministro da Justiça e o ex-chefe da inteligência foram condenados junto. A prova central era a delação de seu ex-ajudante de ordens, somada a minutas de decreto, mensagens e uma reunião ministerial gravada.

Bolsonaro nega ter planejado golpe e chama o processo de perseguição. Está preso desde novembro de 2025, em prisão domiciliar desde março de 2026. A polícia federal também o indiciou por joias recebidas de governos estrangeiros e por fraude em cartões de vacinação. Nenhum desses inquéritos virou condenação até aqui.

A régua, aqui, foi rápida e dura. Ele foi julgado por cinco dos onze ministros. O relator, o ministro que conduz o caso, era o juiz que ele atacou por anos e que aparecia como alvo em parte da trama investigada. A defesa contestou a competência e o relator. O tribunal rejeitou.

A régua alcançou gente sem nome. Débora Rodrigues dos Santos, cabeleireira de Paulínia, no interior de São Paulo, 39 anos, mãe de dois filhos, escreveu "Perdeu, mané" com batom na estátua da Justiça, em frente ao STF, no 8 de janeiro. A frase tinha sido dita por um ministro do tribunal a um bolsonarista, em 2022. Ela ficou dois anos em prisão preventiva. Em abril de 2025, a mesma turma de cinco ministros a condenou a 14 anos por cinco crimes: abolição violenta do Estado democrático, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A tese foi a do crime de multidão, em que a responsabilidade é compartilhada mesmo sem prova de que ela entrou nos prédios. Três ministros votaram 14 anos; um votou 11; Fux votou um ano e meio, só pela pichação. Ela cumpre a pena em casa desde setembro de 2025 e é uma das cerca de 190 pessoas que a lei de abril de 2026 deve alcançar.

Em abril de 2026, o Congresso derrubou o veto de Lula a uma lei que muda o cálculo dessas penas. A de Bolsonaro deve cair para cerca de 20 anos, com pouco mais de dois anos em cela, e cerca de 190 condenados pelo 8 de janeiro devem ter revisão. Seu filho Flávio é candidato a presidente em outubro e aparece tecnicamente empatado com Lula no segundo turno.

Resumindo. Um lado teve as condenações anuladas por questão de foro e por parcialidade do juiz, sem julgamento do mérito. O outro foi condenado por cinco ministros, com um relator que era parte do enredo, e depois teve a pena reduzida por votação no Congresso. Nenhum dos dois caminhos parece, visto de fora, o funcionamento normal de um tribunal. A pergunta que esta carta faz é outra: por que a régua muda de tamanho conforme quem está sendo medido.

O tribunal que não consegue se julgar#

Você provavelmente ouviu falar do Brasil três vezes desde o ano passado e não ligou uma coisa à outra.

Em agosto de 2025, o presidente dos Estados Unidos impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e citou, entre os motivos, o julgamento de um ex-presidente. Semanas antes, o Tesouro americano tinha sancionado um ministro do STF com a lei criada para violadores de direitos humanos e corruptos; a sanção foi retirada meses depois. Em outubro, uma operação policial no Rio de Janeiro matou 121 pessoas em um dia.

O ministro sancionado é o mesmo que conduz no STF o caso dessa operação, e o mesmo que o tribunal agora discute se investiga. Aqui está o presente.

Em novembro de 2025, o Banco Central liquidou o Banco Master, e a polícia federal prendeu seu dono, Daniel Vorcaro, sob suspeita da maior fraude bancária da história do país. Desde então, o caso entrou no STF por todas as portas.

O primeiro relator foi Dias Toffoli, o mesmo das anulações da Lava Jato. Ele deixou o caso em fevereiro de 2026, depois que a imprensa revelou US$ 6,7 milhões de fundos ligados a Vorcaro num resort de que era sócio. Segue no tribunal.

No fim de 2025, o jornal O Globo revelou o contrato de US$ 25 milhões, em três anos, entre o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes e o banco, assinado em janeiro de 2024, com cerca de US$ 14,5 milhões pagos até a liquidação, segundo O Globo e o Estadão. Em outubro de 2025, o banco emitiu cartões de crédito com limite de US$ 58 mil para cada um dos dois filhos do ministro, a pedido do escritório; o escritório diz que nunca foram usados. Moraes afirma nunca ter favorecido o banco nem atuado em processos que o envolvessem.

Em 1º de setembro de 2026, o novo relator, André Mendonça, tornou público um relatório de 218 páginas da polícia federal sobre o celular de Vorcaro. Nele, conversas com um contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA" e anotações em que o banqueiro pedia ao interlocutor que segurasse o diretor-geral da polícia federal e o procurador-geral da República. Moraes nega ter trocado as mensagens, chama os diálogos de fantasiosos e acusa Mendonça de montar uma farsa com finalidade eleitoral.

Um detalhe que importa: Mendonça foi indicado ao STF por Bolsonaro; Moraes, por Michel Temer; Toffoli, por Lula. Isso atravessa todos os lados. E o filho do procurador-geral, segundo a agência de jornalismo Pública, recebeu convite para uma viagem a Londres paga pelo banco.

Em 15 de setembro, o plenário se reuniu para decidir se abre investigação contra Moraes. Dois ministros não votaram: Nunes Marques se declarou impedido depois que a imprensa publicou mensagens ligando ele e a família ao mesmo banqueiro; Toffoli alegou suspeição. Os oito restantes decidiram, por 4 a 3, tratar os casos de Moraes e de Mendonça em separado. Flávio Dino, que tinha votado pela reunião dos casos, pediu vista antes da proclamação do resultado, o que suspende o julgamento por até 90 dias. As duas pessoas que deveriam investigar, o procurador-geral e o diretor-geral da polícia federal, aparecem nas anotações do banqueiro.

Quem decidiu, em 15 de setembro, se o tribunal investiga um dos seus

O STF tem onze cadeiras. Uma está vaga desde outubro de 2025, depois que o Senado rejeitou o indicado. Na sessão de 15 de setembro, dois dos dez ministros restantes não votaram: um se declarou impedido e outro alegou suspeição. Os oito que votaram decidiram, por 4 a 3, tratar os casos de Moraes e Mendonça em separado, e um pedido de vista suspendeu o julgamento por até 90 dias.

  • 8 votaram
  • 2 não votaram: um impedido, um por suspeição
  • 1 cadeira vaga desde outubro de 2025

Julgamento suspenso por pedido de vista.

Desde 9 de setembro, por decisão do presidente do tribunal, Moraes não conduz mais um inquérito aberto pelo próprio STF em 2019 para investigar ataques ao tribunal. Ele comandou esse inquérito por sete anos, sem prazo e sem sorteio, e ele foi a base de muitas das decisões que o mundo viu: prisões, bloqueios de perfis, a derrubada da rede social.

Enquanto isso, o STF funciona com dez ministros, e não onze. A vaga está aberta desde outubro de 2025. Em abril de 2026, o Senado rejeitou o indicado de Lula por 42 votos a 34, a primeira rejeição em 132 anos. Senadores dizem que a cadeira ficará vazia até depois da eleição. O presidente do Senado, apontado como articulador da rejeição, é a mesma pessoa que decide, sozinha, se os pedidos de impeachment contra ministros andam.

Como o sistema decide não decidir#

A mecânica explica o resto. Vou devagar, porque é aqui que o leitor de fora costuma se perder.

O STF tem onze ministros. Cada um é indicado pelo presidente da República e aprovado pelo Senado, e fica no cargo até os 75 anos. O único caminho para tirar um ministro é o impeachment, julgado pelo Senado, com 54 dos 81 votos.

Mas antes de chegar ao plenário, o pedido precisa passar por uma pessoa. Pelo regimento, o presidente do Senado decide se o pedido anda ou vai para a gaveta. Não há prazo. Não há obrigação de explicar. Há hoje 109 pedidos contra dez ministros, 66 deles contra Moraes. Nenhum foi processado.

Pedidos de impeachment de ministros do STF, parados no Senado

Há 109 pedidos de impeachment contra dez ministros do STF, 66 deles contra um único ministro. Nenhum foi processado. Pelo regimento, quem decide se o pedido anda é o presidente do Senado, sozinho, sem prazo e sem obrigação de explicar.

  • 109pedidos contra dez ministros
  • 66contra um único ministro
  • 0processados

O Congresso tem duas casas: a Câmara, com 513 deputados, e o Senado, com 81 senadores. Para mudar a Constituição, são necessários três quintos dos votos, em duas votações, em cada casa. Para derrubar um veto do presidente, maioria absoluta das duas, como aconteceu em abril com a lei das penas.

E o orçamento tem um mecanismo que você precisa conhecer. Chama-se emenda parlamentar: bilhões de dólares por ano que cada deputado e senador tem o direito de direcionar a obras e entidades da própria região. Algo como os earmarks americanos, mas em escala muito maior, e com um controle de destino que o STF tenta há dois anos tornar transparente. É com esse dinheiro que se compram maiorias, para qualquer governo.

Cada um segura a sua parte

O Senado segura a vaga do tribunal e os pedidos de impeachment. O tribunal segura as investigações sobre si mesmo. O governo distribui emendas para não ser incomodado. Os brasileiros assistem.

  • O Senadoseguraa vaga do tribunal e os pedidos de impeachment
  • O tribunalseguraas investigações sobre si mesmo
  • O governodistribuiemendas para não ser incomodado

Os brasileiros assistem.

O preço#

Isso custa dinheiro. O dinheiro é meu e dos meus vizinhos.

A carga tributária chegou a 32,4% do PIB em 2025, o maior nível desde que a série começou, em 2010. São cerca de US$ 670 bilhões por ano em impostos.

A dívida do governo passou de 80% do PIB em abril de 2026. O mercado projeta 83% no fim do ano e 86,5% em 2027. A instituição fiscal do Senado calcula que seria preciso economizar 2,1% do PIB por ano para estabilizá-la, e o país gasta mais do que arrecada desde 2014. Só em maio de 2026, o setor público pagou US$ 21 bilhões em juros.

A taxa básica de juros, que o Banco Central usa para segurar a inflação, está em torno de 14% ao ano, entre as mais altas do mundo. A inflação projetada para 2026 é de 5,1%, acima do teto da meta.

Em 2025, 2.466 empresas pediram recuperação judicial, o equivalente ao Chapter 11 americano, o maior número desde que a Serasa, a maior empresa de dados de crédito do país, começou a contar, em 2012. Em janeiro de 2026, 8,7 milhões de empresas estavam inadimplentes. Os Correios perderam US$ 1,6 bilhão em 2025 e US$ 600 milhões só no primeiro trimestre de 2026.

Seria desonesto parar aqui. O desemprego está em 5,4%, o menor da série histórica para um segundo trimestre, e a renda média do trabalhador bateu recorde. O número de empresas ativas cresceu 22,5% em 2025. O governo aprovou uma reforma dos impostos sobre consumo que os economistas pediam havia trinta anos e isentou do imposto de renda quem ganha até cerca de US$ 1.000 por mês.

O Brasil paga juros de país quebrado sem estar quebrado, para sustentar um Estado que não consegue se fiscalizar, e a conta cai sobre quem trabalha.

A rua#

O Brasil registra mais de 40 mil mortes violentas por ano.

Duas facções disputam o território. O Comando Vermelho nasceu nas prisões do Rio de Janeiro nos anos 1970. O PCC, Primeiro Comando da Capital, nasceu nas prisões de São Paulo nos anos 1990 e hoje tem negócios legais e ilegais em dez estados, além de presença na rota da cocaína para a Europa.

Em 2020, durante a pandemia, o STF restringiu as operações policiais nas favelas do Rio a casos excepcionais, depois que o estado registrou recordes de mortos pela polícia. O processo ficou conhecido como ADPF das Favelas. Governadores e policiais dizem que a decisão entregou território às facções. Defensores de direitos humanos dizem que ela reduziu mortes de inocentes. Em abril de 2025, o tribunal fixou regras definitivas: câmeras nos uniformes, ambulâncias e perícia obrigatória.

Em 28 de outubro de 2025, o governo do Rio mandou 2.500 policiais aos complexos do Alemão e da Penha contra o Comando Vermelho. Resultado: 121 mortos, sendo 117 suspeitos e 4 policiais; 81 presos e 72 fuzis apreendidos. O governador chamou a operação de sucesso. O ministro responsável pelo caso no STF, o mesmo Moraes, mandou preservar provas e entregar os laudos.

As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo. O Estado brasileiro consegue matar 117 suspeitos numa manhã e não consegue investigar um banqueiro sem que metade do tribunal se declare suspeita.

Em agosto de 2025, a operação Carbono Oculto mostrou o outro lado do PCC: fundos de investimento na avenida mais cara do mercado financeiro brasileiro, refinarias, usinas de álcool, um terminal portuário, 1.600 caminhões, cerca de US$ 10 bilhões movimentados em cinco anos. O presidente Lula chamou de a maior resposta do Estado ao crime organizado da história. É verdade. Também é verdade que o esquema operou por cinco anos dentro do sistema financeiro regulado.

Em 2020, um ministro do STF mandou soltar um dos líderes do PCC, André do Rap, aplicando uma regra que o Congresso tinha aprovado meses antes. O presidente do tribunal derrubou a decisão no dia seguinte. Ele já tinha fugido. Segue foragido.

A indignação em números#

Não vou descrever a indignação do meu país com adjetivos. Vou contar.

Treze ex-ministros do STF, entre eles quem julgou o maior escândalo de corrupção dos anos 2000 e quem presidiu o tribunal até 2023, escreveram ao atual presidente da Corte em setembro. Pediram sessão pública e apuração rigorosa, e chamaram o momento de a mais aguda crise da história do tribunal.

Cento e cinquenta e sete pessoas publicaram um manifesto em 9 de setembro. Entre elas, dois ex-presidentes do Banco Central, economistas que desenharam a moeda brasileira em 1994, a fundadora de uma das maiores varejistas do país e um dos apresentadores mais populares da televisão. Três pedidos: investigação completa, rápida e independente; afastamento de quem for formalmente investigado; e um código de conduta obrigatório para as cortes superiores e para os órgãos de investigação e acusação. Escreveram que não assinam contra pessoas, e que o que veio à tona é consequência de um sistema doente. A federação das indústrias de São Paulo, a maior entidade empresarial do país, articula um manifesto com três mil entidades que representam 90% do PIB.

Os três maiores jornais do país, que os apoiadores de Bolsonaro costumam acusar de hostilidade, publicaram editoriais em 1º e 2 de setembro pedindo a saída de Moraes do tribunal.

Em março de 2026, 43% dos brasileiros disseram não confiar no STF, o maior índice desde que o Datafolha, o principal instituto de pesquisa do país, começou a medir, em 2012. Os que confiam muito caíram de 24% para 16%. Em setembro, 76% disseram que os ministros têm poder demais. Setenta e nove por cento acham que um ministro não deve julgar causas de clientes de parentes; o código de conduta que impediria isso é o que o manifesto pede.

O que os brasileiros dizem sobre o STF

Em março de 2026, 43% disseram não confiar no STF, o maior índice desde que o Datafolha começou a medir, em 2012. Os que confiam muito caíram de 24% para 16%. Em setembro, 76% disseram que os ministros têm poder demais, e 79% acham que um ministro não deve julgar causas de clientes de parentes.

  • Não confia no STFmarço de 202643%maior índice desde 2012
  • Confia muito16%caiu de 24%
  • Os ministros têm poder demaissetembro76%
  • Um ministro não deve julgar causas de clientes de parentes79%

Fonte: Datafolha

Há 109 pedidos de impeachment contra ministros no Senado. No feriado da Independência, 7 de setembro, houve atos pedindo o afastamento de Moraes na avenida Paulista, em São Paulo, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e em outras 14 cidades.

E há quem foi embora. O Ministério das Relações Exteriores contava 3,1 milhões de brasileiros no exterior em 2010; 4,2 milhões em 2020; quase 5 milhões em 2023; 5,3 milhões em 2025. Se fossem um estado, seriam o 13º mais populoso do país.

Brasileiros vivendo fora do Brasil

O número de brasileiros no exterior passou de 3,1 milhões em 2010 para 5,3 milhões em 2025. Se fossem um estado, seriam o 13º mais populoso do país.

3,1 mi 2010 4,2 mi 2020 quase 5 mi 2023 5,3 mi 2025

Fonte: Ministério das Relações Exteriores